Um museu nacional

Quem visita Lisboa, sai sem a mínima percepcão do que foi o período dos Descobrimentos Portugueses. O turista nao tem culpa que o terramoto tenha destruído tanta coisa e, coitado, lá vai visitar os Jerónimos, a Torre de Belém e o MNAA, vê umas jóias com diamantes do Brasil, uns móveis indo-portugueses, e pronto, Portugal esteve em todo o mundo. Ouve falar do Vasco da Gama, do Magellan e não faz ideia de como Portugal atingiu todas as partes do globo.
Agora, o ministro da Cultura vem falar numa ideia antiga (ver P2, p.9, de hoje), o Museu dos Descobrimentos, nas palavras dele, da “viagem e da globalizacao portuguesa”. (A palavra globalizacao deve ser um ferramenta de marketing). Alguém que quer fazer mais com menos, e que já começou por dizer sim a um novo e caro museu que Lisboa provavelmente não precisa, surpreenderia toda a gente se tivesse agora a coragem para avançar com o que diz.
Às tantas, avança com um museu como este agora de Belmonte: cheiinho de novas tecnologias, touch screens, projecções e interactividade para as criancinhas se divertirem e para que o público não tenha que prestar muita atenção para aprender alguma coisa. Com reproduções de pecas e com muitas interpretações politicamente correctas para não ofender ninguém. Numa cave algures deslocada do centro, tipo o ridículo Museu do Vinho do Porto.
O que era preciso era um museu sério, extenso e compreensivo, recorrendo como diz o Pedro Dias às diversas coleccões estatais assim como a coleccões particulares e ao mercado com o melhor que a expansão portuguesa (essa expressão, tal como o Império Português provavelmente não se poderá usar…) produziu em termos de arte, urbanismo, musica, gastronomia, lingua, etc, com estatuto de museu nacional. Já agora, instalado no Terreiro do Paço, espaço com um potencial simbólico e evocativo como nenhum outro no país e que tem os seus edifícios ao Deus dará, à espera dos hotéis de charme do Santana. Mas isso, se calhar, era fazer as coisas demasiado em grande, e não queremos protagonismos desnecessários. É melhor gastar esse dinheiro em três quilómetros e meio de TGV para ficarmos mais perto de Vigo.

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