As feiras

Foram duas semanas intensas que nao me deixaram escrever todos os dias neste blog, como é minha intencão. Grosvenor House acabou quarta-feira e assim Londres acalma um pouco ate ao início de Julho quando comeca a Old Masters Week, com leiloes e inúmeras exposicoes. Aliás, a organizacão desta semana ajudou a que os principais dealers de Old Masters deixassem de fazer a feira de Grosvenor House. Johnny Van Haeften e Colnaghi foram as duas grandes perdas que sem dúvida tiveram consequência na frequência desta feira.

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A celebrar o 75.o aniversario, Grosvenor House Fair continua a tentar apelar a um publico tradicional que corria ao grande salao do hotel com o mesmo nome para ver o melhor da arte inglesa assim como old masters. Muito mudou e a verdade é que uma feira numa cave nao é agradável. Essa é uma das razões porque a feira de Olympia atrai cada vez mais visitantes e expositores. De qualquer forma, Grosvenor House continua uns furos bem acima de Olympia em termos de qualidade e sem o desequilibrio de qualidade de expositores que existe nesta. Resumindo, Grosvenor House é boa e chata, Olympia é menos boa mas mais divertida. Por isso, os decoradores preferem esta última.
Olympia estava com um ambiente interessante, embora sem nada de surpreendente em termos de pecas apresentadas. Novos expositores tais como Jean Luc Baroni, Steinitz, Carlton Hobbs ou Di Castro trouxeram uma nova vida. O stand da familia Di Castro, com loja na Praca de Espanha em Roma, apresentava um bom grupo de desenhos – que incluíam um estudo para um altar de um Bibiena, assim como vários estudos para pecas de ourivesaria de Valladier. Um dos melhores stands da feira era o dos irmãos Tomasso que, a partir de Leeds, criaram uma reputacão de descobrir pecas de alta qualidade em sitios inauditos. A última badalada descoberta foi uma escultura de Gianbologna. É com escultura que trabalham, essencialmente, mas na feira (a primeira feira que fazem, apesar de negociarem desde 1993) tinham um extraordinário par de mesas barrocas romanas, provenientes do Palazzo Corsini que eram os melhores moveis que vi na feira. À venda pelo menos, já que as melhores eram um par de contadores fiorentinos de pietre dure que faziam parte de uma mini-exposicao com pecas de Castle Howard, a famosa casa desenhada por John Vanburgh para os Earls of Carlisle, mais conhecida por ser a casa de Sebastian Flyte e da familia Marchmain na adaptacao para tv do Brideshead Revisited de Evelyn Waugh. Steinitz tinha um dos mais extraordinarios contadores indo-portugueses que ja vi, que ja tinha mostrado na Bienal de Paris do ano passado, com um preco igualmente extraordinario.
Os portugueses – de novo, Jorge Welsh e os irmãos Andrade, com stands de bom nivel. Mas novo, estava Manuel Capucho com uma optima seleccão de azulejos, que deverá ter surpreendido muitos dos visitantes.
Grosvenor House, apesar do espaco nao muito agradavel la apresentava alguns dos melhores antiquários do Reino Unido: Antoine Chenevriere, com mobiliario europeu (sendo o grande especialista em mobiliario russo), Philip Mould, um antiquario extremamente inteligente que descobriu o seu proprio nicho na area dos retratos historicos (ver L+Arte de Julho, com um texto sobre o seu novo livro Sleuth), o antiquario de moveis ingleses Thomas Coulborn and Son – que apresentou uma gigantesca tazza em porfiro feita em 1838 pelas oficinas reais suecas para o embaixador britanico em Estocolmo. O grande especialista em relogios ingleses Anthony Woodburn tinha algumas preciosidades, assim como Richard Philp, que vendeu logo no primeiro dia uma escultura de um Sao Miguel Arcanjo, italiana do seculo XV, que teria sido a peca de toda a feira que eu tinha levado para casa.

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Aparentemente, em ambas as feiras a maioria dos expositores estavam satisfeitos sem contudo grande euforia. Em Grosvenor House, todas os dealers com quem falei tinham feito algum negocio, um ou dois, muito bom, aliás. E um ou dois, nada tambem. Em Olympia, a generalidade também, embora dois antiquários londrinos me disseram que nada tinham vendido. Mas a importancia das feiras vai para além das vendas. Entretanto, as notícias que correm é que a gestão da feira de Olympia poderá mudar. E a verdade é que esta feira ainda não está com o nivel desejado, assim como Grosvenor House continua a perder prestígio e o carácter internacional que já teve no passado (e nunca irá recuperar se continuar onde está). Bottom line, o que está na boca de toda a gente é que Londres precisa de uma feira de arte e antiguidades a sério, que não misture o trigo e o joio, e que seja capaz de reunir num so local os melhores antiqaurios do mundo e trazer a Londres todos os grandes compradores – tal como a Bienal de Paris, tal como a TEFAF.

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