Buckingham Palace

Ao fim de três anos em Londres, fui finalmente visitar o Palácio de Buckingham. E, sendo franco, aquele que foi o coracão do maior Império que já existiu, o maior palácio da sua capital, é uma desilusão. Uma desilusão, essencialmente, de gosto. Naturalmente já sabia ao que ia, mas não estava a espera de tão pouco. Ou melhor, de tanto. Tanto bling.
Não sou o primeiro a dizê-lo, mas a melhor maneira para descrever a residência oficial da rainha é afirmar que parece um óptimo hotel. Um grande pastiche mais adequado a um fabuloso Ritz-Carlton em Los Angeles. É, na expressão muito inglesa, totally OTT, ie, over the top. Tanto dourado seria apropriado no Dubai, mas não ali, no centro do restrain and good taste.

bp

Enquanto a rainha está no inóspito Palácio de Balmoral na Escócia de Julho a Setembro, o palácio abre ao público, de modo a angariar receitas para a sua conservacão. O Palácio tem este nome já que originalmente era a casa londrina dos Duques de Buckingham (de terceira criacão, mais propriamente de Buckingham e da Normandia) Apesar de vários duques de Buckingham terem tido papéis destacados na história de Inglaterra, para mim o Duque de Buckingham será sempre o amante da rainha Ana nas aventuras dos desenhos animados do D’Artagnan. Enfim, uma infancia feliz.
De qualquer maneira, o palácio, ou melhor, a casa então – próxima do Palácio de St James onde estava a corte – foi comprada por George III para a rainha Charlotte tendo passado depois para as mãos de George IV, o rei que em termos de esbanjamento e extravagancia se compara a poucos. Resolveu então melhorar o palácio e chamou John Nash que já o tinha servido nos projectos imobiliários de Regent’s Park, Pall Mall e Regent’s Street e na fantasia que é o Brighton Pavillion. Em vez do estilo clássico de Regent’s Park, por exemplo, Nash aplicou um ecleticismo de gosto duvidoso no Palácio de Buckingham difícil de caracterizar, depois acentuado por Edward Blore, arquitecto de William IV, e pelas obras feitas pela rainha Victória que torna o palácio residência oficial.
Se o mobiliário deixa um pouco a desejar, a pintura não, sendo de facto uma mini National Gallery, com obras de Van Dyck, Rembrandt, Rubens, Vermeer, Canaletto, etc, etc, etc. Apesar das hordas de americanos – surpreendidos por não aceitarem dolares no café – vale a pena a visita para sentir um pouco do que foi o Império Britanico.

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