My Name is Charles Saatchi

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My Name is Charles Saatchi and I Am an Artoholic: Everything You Need To Know About Art, Ads, Life, God and Other Mysteries and Weren’t Afraid to Ask… é um livrinho. Em tamanho e em conteúdo. Mas, apesar da presuncão do título, bastante divertido e revelador. Charles Saatchi é quase tão famoso pelas suas actividades de coleccionador como pelo facto de ser extremamente reservado. Não dá entrevistas, não vai a inaugurações, nem mesmo às das suas próprias exposições. E por isso este novo livro, uma compilação de perguntas e respostas feitas por variadíssimas pessoas e jornalistas, surge como uma quase-surpresa. É, na verdade, um excelente documento de como a cabeça do mais importante coleccionador inglês do século XX pensa. E esta pensa de forma simples e sem preconceitos, sendo as respostas que vai dando quase sempre desarmantes e muito claras.

“Acha que distorceu o mercado ao ser um comprador tão influente? (…) Eu sempre pensei que o que as pessoas compravam e vendiam era por definicão “o mercado”.”

Esta resposta mostra como Saatchi, apesar de ser constantemente acusado de manipular o mercado, tenta mostrar que não lhe dá tanta importância como isso. Surge neste livro como o inimigo do “art world”, do mercado e do seu sistema, apesar de poucos terem a sua influência. Foi ele que “fez” a geração YBA, com Hirst, Emin, Whiteread, Chapmann, Quinn e por aí fora nos inícios dos anos 90. Começou a coleccionar logo no início dos anos 70, altura em que fundou a agencia Saatchi & Saatchi com o seu irmão Maurice. A agência tornou-se na maior do mundo criando milhares de campanhas, a mais famosa de todas aquela que levou Tatcher ao poder com o slogan “Labour isn’t working”.

“Sei muito pouco sobre arte contemporanea mas tenho £1000 para investir. Algum conselho? Premium bonds. A Arte não é investimento nenhum a não ser que seja muito, muito sortudo, e que seja capaz de ganhar aos profissionais no seu proprio jogo. (…).”

Apesar dos seus publicitados lucros com a venda de alguns das suas obras (como por exemplo o tubarão de Hirst, que lhe custou 50 mil libras e que vendeu por cerca de vários milhões) muitas são também as perdas e a maneira como compra em quantidade mostra que não é propriamente tão calculista como o pintam – vendendo também em quantidade:

“Acha que deu cabo da vida de alguém ao vender as obras por atacado? Eu não compro arte só para fazer os artistas felizes, na mesma medida em que quero faze-los infelizes se vender as suas obras. Não acha que está a ser um pouco melodramático?”

No entanto, Saatchi sempre foi muito próximo dos artistas. É, por exemplo, grande fã de Paula Rego e provavelmente o seu maior coleccionador. Desta relacão surgiu o sucesso de Ron Mueck, genro de Rego, apresentada por esta a Saatchi que de imediato lhe encomendou quarto esculturas. Provocou sucessos individuais mas sempre trabalhou no sentido de uma promocão global. James Stourton, no seu Great Collectors of Our Time, afirma que ele “possui mais poder que qualquer outro coleccionador britanico desde a Guerra e por inerencia foi quem mais fez pela arte britanica a nivel global”.

“Não são aqueles quadros às pintas tipo papel de parede? Também pode dizer que aqueles quadros do Rothko parecem tapetes bonitos. Não é crime nenhum a arte ser decorativa.”

Este livro, dá-nos alguns olhares sobre a sua personalidade e, essencialmente, promove-a. Só que na verdade, em Inglaterra, Saatchi tornou-se sinónimo de arte contemporânea. Com a iniciativa da Saatchi online – um myspace para artistas -, a Saatchi Gallery em plena actividade e um programa de TV, a estrear este mes, que irá procurar a próxima estrela da arte, qual Ídolos, Charles Saatchi, atinge um patamar superior de visibilidade extrema cada vez mais contraditória com a imagem que tenta passar, mas prefeitamente consentanea com o seu não pequeno ego.

“Não está aqui um paradoxo qualquer? Como pode ser tão tímido e no entanto tão volúvel? Eu não sou nem tímido, nem volúvel. Eu não gosto de ir a festas, mas gosto de showing off a minha arte. Vivo bastante confortável com a minha esquizofrenia.”

Ninguém contudo o poderá acusar de não trabalhar em prol da arte contemporânea. Quanto ao programa de TV, tal como o livro foi, irá ser recebido com ódios e amores, mas de qualquer maneira, Saatchi não estará com certeza muito preocupado com as críticas, já que, como afirma no livro, “Eu não vou em snobeiras, deixo isso para os jornalistas”, e quem diz jornalistas diz qualquer espécie de críticos.

My Name is Charles Saatchi and I Am an Artoholic: Everything You Need To Know About Art, Ads, Life, God and Other Mysteries and Weren’t Afraid to Ask…
Phaidon – 176 pags

escrevemos in L+Arte, Out 2009
(unedited)

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