Tapecarias de Pastrana

Passando de férias em Lisboa, tive que ir ver as Tapeçarias de Pastrana no Museu de Arte Antiga. O museu organizou uma exposição com o nome de “A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana”.
Para que fique claro, as tapeçarias são extraordinárias, espectaculares, deslumbrantes, magnificentes e quem não as for ver, não saberá o que está a perder. Bendita a hora em que saíram do pais, porque senão teriam sido destruídas com certeza no terramoto.
Quanto ao trabalho feito pelo museu, é fraco. Não que as tapeçarias precisassem de muito, obras narrativas em si mesmas, falam por si, gritam, mas a verdade é que a “exposição”, como exercício pedagógico, pouco nos ensina sobre estas. Sem textos de apoio, não se diz uma palavra sobre a sua interessante e misteriosa saída de Portugal e as referências ao contexto da sua produção são mínimas.

Sendo a primeira vez que as obras vêm a Portugal desde que saíram de Portugal no século XV, considero indiscutivelmente o acontecimento cultural do ano. Pelo que vejo nos jornais portugueses e pelas conversas que fui tendo, a divulgação foi pequena e o impacto reduzido.  E quanto mais penso nelas e no seu impacto, não tenho qualquer dúvida que as tapeçarias de Pastrana estão no mesmo patamar em termos de importância histórica dos Painéis de São Vicente e da Custódia de Belém. Aqueles painéis estão aliás expostos, como acessórios, ao lado das tapeçarias, numa associação desnecessária e que, naquele contexto, apenas diminui aquela que é a obra-prima do museu nacional. Nesta linha, também de difícil compreensão, é o texto de maior relevo no catálogo, da autoria de Dalila Rodrigues, sobre aquele tema requentado (quase um não-tema) de Nuno Gonçalves e as tapeçarias de Pastrana.
Sobre a sua história, o melhor resumo foi feito por Maria Antonia Pina newsletter da Associação Portuguesa de Historiadores de Arte. Tem especial interesse as diversas hipóteses de como terão as tapeçarias foram parar a Pastrana.
Já que o camarada Sócrates é tão amigo do camarada Zapatero, podia pedir-lhe com jeitinho, em nome do espírito de partilha socialista, se não dava para Espanha devolver as tapeçarias. Não lhes dizem nada, estão num sitio sem condições de conservação e são, de facto, das memórias mais importantes que sobreviveram da História de Portugal. Devia seriamente pensar-se, sem complexos e diplomaticamente, num processo de as reaver. Mas quem é que está para se chatear…

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