Por NY

Dei um salto à Sotheby’s e à Christie’s esta semana, mesmo antes dos leilões de Arte Moderna e Impressionista acontecerem, com os resultados impressionantes que se sabem.  Em ambos os casos, os lotes apresentados eram muito pouco entusiasmantes. Quadros de terceira e quarta linha, com um ou outro mais interessante, embora requentados. Na Sotheby’s, o Modigliani que era a capa do catalogo – La belle Romaine – fez 69 milhões, mesmo não sendo uma obra-prima e não novo no mercado. Mas o facto de ser um postal, uma obra de tão fácil reconhecimento, leva a que tenha tido tantos seguidores.

O Matisse “Danseuse dans le fauteuil, sol en damier”, igualmente, vendido em leilão há poucos anos é um quadro fácil, atractivo e agradável. Pena e’ que tenha sido pintado nos anos 40, longe do periodo em que as cores de Matisse eram revolucionárias. E fez 20 milhoes.

Ja na Christie’s, a escultura de Matisse Nu de dos, 4 état (Back IV) fez quase 50 milhões de dolares, ao que não é alheio o facto de quatro desta serie de esculturas terem estado em exposicao no Moma há menos de dois meses. Como diz o Souren Melikian, este valor torna-se absurdo quando se pensa que o bronze foi fundido 24 anos depois da morte do artista.

Mas no mesmo dia, no department store que é a Sotheby’s NY, estavam em exposição meia dúzia de highlights do leilão de Old Master Paintings de Dezembro, a acontecer em Londres. A par de um Ticiano,  o quadro de Stubbs – Brood Mares and Foals – (£10m – £15m), mesmo um pouco flat em termos da estado de conservacao, é extraordinário pela simplicidade da composicao e pela beleza dos cavalos. Depois do Whistlejacket na National Gallery, este tornou-se no Stubbs da minha coleccao imaginaria.


Ja na Christie’s, o campeonato ainda era melhor: um Poussin, da série dos Sacramentos comprada pelo Duque de Rutland em 1785 e vendido agora pelo estate da família. Perde-se a conta do numero de vezes que as leiloeiras apresentam “obras-primas”, nunca antes no mercado, etc, etc. Este é um verdadeiro e raríssimo caso de uma obra-prima de um grande pintor disponível no mercado. E por 20 milhões de libras, comparando com os valores gastos nos leiloes de arte moderna, é uma verdadeira ninharia.

No site da Christie’s pode-se ver um pequeno vídeo com os peritos a discutir a obra.

E naquele momento, em que estava a observar a pintura, lembrei-me de uma ida ao Palácio de Mafra, há cinco anos atrás, com dois dos melhores peritos de pintura de Portugal. Estes, José Paulo Chaves e Carlos Ramires, queriam-me mostrar um quadro que existe num dos quartos do palácio, que aqueles acreditavam poder ser da mão de Poussin. Eles afirmavam que precisavam de manusear e estudar o quadro convenientemente para poderem ter certezas. Eu, especialmente depois de ver uma mão cheia de Poussins em Londres – e vendo a forma particular como envelheciam e secavam – fiquei convencido da ideia. Uma ideia que pelo menos devia ser desenvolvida e estudada, mesmo que não se confirmasse. Desde ai, acho que nada se fez e o quadro continua no mesmo sitio, com um plaquinha genérica que diz qualquer coisa como “Escola Italiana, Século XVIII”.

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